O Dilúvio, realmente aconteceu? Parte III

Recapitulando nossos estudos, na PARTE I vimos a sequência dos reinados e avaliamos a datação encontrada nos tabletes, comparando com a Bíblica, analisamos de acordo com a Teoria de Rehwinkel e conseguimos encontrar um valor muito próximo ao descrito na Bíblia.

Na PARTE II de nosso estudo, analisamos com critério a etimologia dos nomes encontrados dos tabletes cuneiformes, no escritos de Beroso e na Bíblia, comparamos os mesmo a descrição da genealogia em gênesis e encontramos similaridades incríveis.

Nos acompanhe então, nesta terceira e última parte deste estudo, com o título:

 

ENTÃO VEIO O DILÚVIO...

A mais antiga versão do Dilúvio que conhecemos vem de um tablete bastante danificado que conta a história de um certo herói chamado Ziusudra. Infelizmente mais de 80% do texto encontra-se perdido e, como resultado, a maior parte da história é obscura e difícil de ser resgatada. Apenas umas poucas passagens podem ser lidas com certo grau de certeza e, pelo que sabemos, trata-se do relato de uma imensa inundação que há tempos abateu sobre o planeta Terra, mais Ziusudra conseguiu sobreviver a ela.

Outras versões, no entanto, estão bem mais preservadas que esse épico e seu achado ajudou bastante na reconstrução dos antigos relatos sumerianos acerca do Tablete de GilgameshDilúvio. O mais completo e bem conhecido é o "épico de Gilgamesh". Ele foi encontrado por Hormuzd Rassam que substituiu o pioneiro Henry Layard nas escavações de Nínive, em 1852.

Após dois anos de árduo trabalho desenterrando os alicerces do palácio de Assurbanipal, Rassam foi recompensado com o achado da biblioteca real, a qual continha mais de 30 mil tabletes de argila reunindo o conhecimento milenar de povos do Tigre e Eufrates. Embora os documentos fossem datados do 7º século a.C. ficou claro que muitos deles (inclusive o épico de Gilgamesh) eram cópias de materiais muito mais antigos que remontavam a uma tradição do segundo milênio antes de Cristo.

A história é longa e o que nos interessa está no tablete n.º 11 da coleção. Ela diz que Gilgamesh tinha um amigo chamado Utnapishtim que ganhara a imortalidade e, semelhante ao Noé bíblico, conseguiu sobreviver às águas do Dilúvio. Ele havia sido previamente avisado pelo deus Ea (7) (senhor das águas e criador da humanidade) que uma imensa inundação se abateria sobre os homens. Assim, caso quisesse se salvar, Utnapishtim deveria construir uma embarcação de madeira e piche, capaz de carregar a semente da vida de cada espécie.

Finalmente, o barco ficou pronto e Utnapishtim, munido de todos os seus tesouros, entrou a bordo do barco com sua família, seus artesãos e os animais que havia recolhido. Então fechou a porta e aguardou. Finalmente, uma torrencial tempestade caiu sobre a Terra durando seis dias sem parar. O desastre foi tão imenso que até os deuses ficaram assustados e fugiram para os lugares mais altos dos céus que ficavam na montanha celeste de Anu. Eles se encolhiam como cães assustados.

No sétimo dia após o início da tempestade, o barco encalhou no topo do monte Nissir (no Curdistão) e ali permaneceu por mais seis dias. No sétimo dia, Utnapishtim solta uma pomba para ver se as águas haviam baixado, mas ela retornou, pois não havia encontrado terra firme.

Seguro de que as águas haviam baixado, Utnapishtim saiu da arca com os animais e seus companheiros e, imediatamente, ofereceu um cordeiro aos deuses que respiraram a fumaça do sacrifício e se mostraram satisfeitos.

Quando essa história foi publicada pela primeira vez em 1872 houve um grande alvoroço na Europa, pois recentemente, Charles Darwinem 1859, Charles Darwin, havia publicado a primeira edição do best-seller Origem das espécies que mudou completamente a visão de muitos eruditos acerca do Gênesis. Para eles, toda história do Dilúvio não passava de um "conto judaico" e nada mais. Porém, então, evidências fora da Bíblia indicavam que o relato de Gênesis capítulos 6 a 9 era mais universal do que se imaginava, e não podia ser, de maneira alguma, criação de um autor hebreu.

Outra versão ainda mais antiga do Dilúvio foi recuperada a partir de vários fragmentos encontrados ao longo de 78 anos (1889-1967) em vários sítios arqueológicos da Mesopotâmia. Ela data do reinado de Ammisaduqa, que governou Sippar de 1646 a 1626 a.C., e é seguramente, anterior a Moisés.

Nela, o herói diluviano é Atrahasis, como no relato do Épico de Gilgamesh, ele é avisado pelo deus Enki (outro nome para Ea) de que a Terra seria destruída por causa do barulho que os homens faziam não permitindo que os deuses Enlil descansasse em paz. As pragas e a fome foram enviadas primeiro e, finalmente, derramou-se um grande Dilúvio. Obediente às instruções de Enki, Atrahasis, sua família e vários tipos de animais sobrevivem à inundação através de um barco que o próprio herói construiu.

Nota-se, portanto, que os sumerianos criam que um grande Dilúvio havia ocorrido num remoto período da sua história. O relato do Gênesis não é imaginação gratuita de Moisés. Além disso, embora não tenhamos espaço para abordar todas as versões do Dilívio, é importante dizer que não se trata (como alguns minimalistas fazem supor) de uma mera lenda mesopotâmica ecoada pelo autor bíblico. Essa mesma história de uma inundação universal permeia dezenas de culturas fora da Mesopotâmia. Estudos antropológicos estão repletos de relatórios sobre cerimônias religiosas ligadas a esse acontecimento que podem ser vistas em tradições milenares da Índia, China, Egito e México. Tribos africanas e índios (tanto americanos quanto andinos e brasileiros) também demonstram conhecer o fato de que um dia o mundo esteve submerso sob as águas, e isso, antes de qualquer contato com missionários ou detentores da tradição bíblica.

 

Referências:

(7) Ea as vezes é chamado de Enki.

P.S.: Todo o mérito destes estudos (Parte I, II e II) devem ser creditados ao Dr. Rodrigo P. Silva em Escavando a Verdade: A Arqueologia e as incríveis histórias da Bíblia (CPB: 2007), p.62-70.

O Dilúvio, realmente aconteceu? Parte II

Dando continuidade em nosso estudo sobre a veracidade ou não de um Dilúvio Universal conforme é relatado na Bíblia, vamos seguir a mesma linha de raciocínio do primeiro artigo publicado no blog (Parte I).

 

COMPARANDO OS NOMES

Mais interessante que a comparação dos números é a equiparação fonética entre os patriarcas bíblicos e os nomes que aparecem nas listagens mesopotâmicas. No capítulo anterior já fizemos uma breve referência ao nome de Adão que também aparece modificado nesses documentos. Aqui vamos nos deter em apenas duas listas (uma cuneiforme e outra de Beroso) e compará-las com o texto Bíblico. A correspondência genealógica entre elas não será, é claro, absolutamente exata. Não obstante, a semelhança entre alguns nomes é incrível!

 

Antes, porém, é importante mencionar que os nomes próprios geralmente provêem de raízes etimológicas que são adaptadas a um idioma derivado ou a um acento regional que os modifica. O nome Jesus que na região sul é pronunciado com um "e" mais fechado torna-se, no nordeste, Jésus (com ênfase no "e" bem mais aberto). Os americanos já pronunciam de maneira ainda mais diferenciada. Eles dizem algo como Jzeezâz com um alongamento do "e" e uma típica marcação da última vogal "u" pronunciada como se fosse um "a". Mas, em qualquer um desses três casos, a grafia pemaneceu inalterada. Todos escrevem "Jesus".

Noutros casos, a adaptação do nome pode demandar uma variação maior de letras ou de formato. Temos como exemplo o nome brasileiro "Vagner" que é uma pequena alteração - apenas na letra "V" - do alemão "Wagner" que quer dizer "construtor de vagões". Para os ingleses a alteração foi um pouco maior, "Waggoner", embora a base fonética tenha permanecido a mesma.

Algumas similaridades, no entanto, não podem ser tão facilmente visíveis como estas que apresentamos e demandam maior conhecimento técnico para serem percebidas. Se tomarmos, por curiosidade, um livro de "origens e significados dos nomes", observaremos que "Guilherme" vem do teutônico "Willihelm", que quer dizer "protetor resoluto". Por isso, vem inglês, esse mesmo nome se transformou em "William" ou "Williams" - uma grafia completamente diferente, mas oriunda do mesmo radical.

Nas línguas antigas o fenômeno lingüístico era o mesmo. O deus-sol, por exemplo, recebia no antigo tronco semita o nome de Shamash. Mas o acentuado sotaque hebraico fez com que o Antigo Testamento o vertesse para Shemesh como podemos encontrar em Jeremias 43:13 (5). No idioma ugarítico a mudança foi ainda maior, que sua vocalização passou a ser Shapsh. Isso esclarece a afirmação de que Adam e Adapa podem ser variações do nome de Adão.

Munidos destas informações vejamos o paralelismo lingüístico entre as listagens sumeriana, de Beroso e da Bíblia:

LISTA SUMERIANA

(2000 a.C.) (6)

LISTA DE BEROSO

(260 a.C.)

LISTA DE GÊNESIS

Alulim

Alorus

Adão

Alamar

Alaparus

Abel (?) Sete (?)

Enmenluanna

Amelón

Enos

(...)

Ammenon

Cainã

Emmengalanna

Megalaros

Maalalel

Dumuzi

Daonos

Jarede

Ensipazianna

Euedorachos

Enoque

Enmenduranna

Amenpsinos

Matusalém

Uberratum

Otiartes

Lameque

(...)

Xisouthros

Noé

 

É claro que, como já foi dito, nem todos os nomes de patriarcas bíblicos possuem uma correspondência clara para longe de qualquer questionamento. Mesmo os especialistas mais renomados debatem entre si quanto à grafia e a correlação exata entre alguns nomes. Para alguns, Alarapus teria se corrompido e se transformado em Abel. Para outros, seria um correspondente de Sete ou até mesmo Adão.

Porém a despeito de algumas divergências, é reconhecido no mundo acadêmico que alguns pares de nomes possuem uma correspondência muito interessante que não pode ser ignorada, vejamos alguns casos:

 

1. AMELON, o terceiro nome que da lista de Beroso, é claramente derivado de Enmenluanna - coincidentemente, o terceiro também da lista cuneiforme. Ambas as formas parecem vir da raiz amelu, que significa "homem" em acadiano. Ora, na lista genealógica de Adão (Gen 5:6) o terceiro nome que aparece é o de Enos (no hebraico enosh), que também significa "homem".

 

2. AMMENON, que não parece possuir correspondente na lista cuneiforme, vem provavelmente do acadiano ummanu que quer dizer "artífice". Cainan (cuja abreviatura seria Caim) também significa "artífice" ou "aquele que trabalha com metais" - uma óbvia relação temática com o acadiano. Quanto à falta de correspondente entre esse termo e lista cuneiforme, devemos nos lembrar que a genealogia de Cristo apresentada por Lucas também acrescenta nomes que não aparecem em Gênesis 5 ou I Crônicas 1:1-4. Abreviações e omissões voluntárias de alguns nomes não são impossíveis de ocorrer no trabalho do escriba.

 

3. DUMUZI, quer dizer "aquele que recebe a vida" ou "filho vivente", parece ter se modificado posteriormente até assumir a forma Daonos, que teria o mesmo significado. Seu correspondente bíblico seria Jared, "aquele que descende", o que, por contexto, também se adequaria ao sentido "filho vivente" expresso em Dumuzi.

 

4. Devido a corruptelas lingüísticas e semânticas não é difícil supor que Magalaros transformou-se em Maalalel e Euedorachos assumiu a forma abreviada Enoch (Enoque) que aparece em Gênesis.

 

5. Por fim, tomando-se em conta que Enmenduranna possa corresponder ao acadiano Utu-sal-elu, não é difícil supor que esse termo tenha sido mais tarde vertido ao hebraico por Methuselah ou Matusalém.

 

Seria, por fim, interessante relembrar que Eridu - a primeira cidade do mundo - vem da mesma raiz da palavra Éden. Ademais, Badgurgurru, a cidade que segue à destruição de Eridu, significa literalmente "a fortaleza dos que trabalham com bronze". Agora, se você ler Gênesis 4:14 encontrará a afirmação de que Caim fundou uma cidade (talvez a primeira fora do Éden) e pôs nela o nome de Enoque. Alim moraram os primeiros artífices do bronze que tinham por patrono Tubalcaim, descendente direto do primeiro homicida. Seria Enoque a mesma Badgurgurru dos tabletes cuneiformes? É possível, e ainda que não tenhamos certeza absoluta acerca de todos os detalhes lingüísticos desses documentos, fica evidenciada a origem comum das tradições bíblica e mesopotâmica acerca das origens da civilização mundial.

 

Escrita Cuneiforme

Veja acima a escrita cuneiforme e suas variações.

 

Referências:

(5) As versões em português geralmente vertem o termo para Semes.

(6) A transliteração dos caracteres cuneiformes varia de acordo com a edição adotada. Ademais, muitos tabletes estão danificados e as partes quebradas são preenchidas com certo gradu de intuição. Assim, enquanto Pritchard anota o sétimo rei como sendo Ensipazianna, Barton prefere transliterar por Sibzianna.

O Dilúvio, realmente aconteceu? Parte I

Dilúvio

A LISTA DE REIS

Esse é um tema muito discutido, mas pouco entendido em sua profundidade. Teria acontecido um Dilúvio universal sobre a Terra conforme descrito no livro de Gênesis? Essa foi uma história que consta só na Bíblia? Se você apresenta estas dúvidas em sua mente, acompanhe-me em nosso estudo que procuraremos saná-las com um argumento arqueológico, no mínimo interessante.

Nos escritos de Beroso, um antigo sacerdote da Babilônia, mencionam uma lista de reis que viveram antes do grande dilúvio que se abateu sobre a Terra (compare com Gen 5:1-32). Seu texto, embora seja do 3º século a.C., deriva de tabletes cuneiformes muito mais antigos que também foram encontrados e hoje estão disponíveis, tanto nas linguas originais quanto em traduções especializadas, feitas por orientalistas de todo o mundo.

Essas listas foram produzidas num período de aproximadamente 400 anos, que cobrem de 2100 a 1700 a.C. Nesse intervalo, muitas coisas ocorreram na Mesopotâmia. Ur, a cidade de Abraão, se tornou a poderosa capital da Suméria e uma verdadeira "cultura comum" começou a se espalhar por todas as cidades-estado da região. Não é de admirar que Mario Curtis Giordani refere-se a esse período como "verdadeira renascença sumeriana"(1). Depois disso, a força política foi transferida para as cidades de Isin e Larsa, que iniciam uma nova dinastia sob o domínio dos amorreus e elamitas.

Prisma de Weld-Blundell, 2170 aC Os textos genealógicos, além de fragmentários, não são uniformes, mas parecem proceder de uma mesma fonte mais antiga. O mais completo deles é o Prisma de Weld-Blundell (à esquerda), descoberto em 1921 nas escavações de Larsa. Portanto, a tarefa dos especialistas é tentar remontar a genealogia original e descobrir homônimos que podem estar escritos de forma diferente nos diversos tabletes já identificados.

Fazendo um paralelo com a Bíblia, há duas coisas nessas listas sumerianas que nos chamam a atenção: em primeiro lugar a extrema longevidade dos chamados reis pré-diluvianos que, de acordo com os tabletes, viveram milhares de anos. Segundo, a semelhança lingüística entre vários nomes listados e alguns patriarcas que a Bíblia menciona antes do Dilúvio.

Apenas para ilustrar, vejamos parte de um texto cuneiforme do segundo milênio a.C. que contém a lista sumeriana dos reis pré e pós-diluvianos. Esse documento certamente serviu de base para os escritos de Beroso. Os números à esquerda equivalem às linhas da primeira coluna do tablete (2).

1. [Quando] a soberania desceu do céu

2. Em Eridu estava a soberania

3. Alulim exerceu

4. a soberania por 28.000 anos

5. Alamar a exerceu por 36.000 anos

6. Dois reis

7. a exerceram por 64.800 anos

8. Eridu foi destruída

9. A soberania de Badgurgurru

10. foi...

11. Em Badgurgurru, Enmenluanna

12. Exerceu [a soberania] 43.200 anos (...)

A lista continua apresentando uma série de reis com suas longas soberanias até que uma interrupção na linha 40 quebra a seqüência com a frase "e então veio o dilúvio e cobriu a Terra". A partir daí a listagem que se segue é formada pelos reis que viveram "depois que o dilúvio havia coberto [a Terra]" (Linha 41). Curiosamente, seu período de reinado é drasticamente diminuido em vários milhares para apenas algumas centenas de anos. Como, aliás, também ocorre nas cronologias bíblicas pré e pós-diluvianas, em que a média de vida dos patriarcas vai gradativamente reduzindo de 900 anos para valores menores que um século e meio de existência. Vejamos a continuidade do texto:

42. A soberania desceu do céu

43. A soberania está em Kish

44. Em Kish, Gaur

45. Foi rei

46. Ele exerceu [a soberania] por 1.200 anos

47. Khulla-Nidada, a divina donzella

48. a exerceu por 960 anos.

[Segunda Coluna]

1. (...) buum (?)

2. exerceu [a soberania] por 900 anos

3. (...)

4. (...)

5. foram companheiros

6. completaram (...) (?)

7. Galumun

8. Governou por 900 anos;

9. Zigagib

10. governou por 840 anos

11. A-Ri-Pi, filho de Mashgag,

12. governou por 720 anos (...)

Embora a listagem bíblica também apresente os pré-diluvianos com uma expectativa de vida muito superior a atual, a cifra babilônica que atribui a média de 21 mil anos para cada monarca necessita de um esclarecimento.

Para fins didáticos não nos deteremos muito nas implicações literárias das diversas listas. Contudo, podemos apresentar uma observação feita Alfred Rehwinkel que desanuvia consideravelmente a problemática. Ele menciona um lexicógrafo grego chamado Suidas, que teria vivido por voltar de 670 d.C. e produzido um vasto dicionário da língua grega. Nessa obra, o autor comenta que o "saro" - medida cronológica de Babilônia - teria dois valores: um, o saro civil, que valia 18,5 anos em média e outro, o saro astronômico, que valeria 3.600 anos.

Assim, Rehwinkel assume que os escribas (e especialmente Beroso) teriam dado ao saro civil o valor astronômico que gerou a cifra exagerada (3). De fato uma comparação da primeira listagem cuneiforme com a de Beroso apresenta progressivo aumento dos períodos. Enquanto os tabletes trazem um total de 241.200 anos de reinado pré-diluviano, Beroso traz 432.000.

A matemática que Rehwinkel apresenta não é dificil de ser compreendida. Se, como ele supõe, Beroso deu aos seus "saros" o seu valor astronômico, então os 36 mil anos de Alamar correspondem na verdade a dez saros. Ora, se cada saro civil equivalia a 18,5 anos, Alamar não teria governado mais do que 185 anos o que estaria próximo da idade de Adão, 130, quando lhe nasceu o primeiro filho.

Essa teoria pode não responder a todas as perguntas acerca desses "reis", mas fornece uma boa pista para uma compreensão mais razoável. De acordo com Rehwinkel, levando-se em conta as diferenças numéricas entre a versão samaritana, o texto hebraico massorético e a LXX, a discrepância entre a Bíblia e o texto babilônico seria de apenas vinte e um anos, o que é um valor insignificante (4).

Referências:

(1) Mário Curtis Giordani, História da Antiguidade Oriental (Petrópolis: Vozes, 2003), p.133.

(2) Traduação conforme S. Langdon, Oxford Editions of Cuneiform Texts (Oxford: Oxford University Press, 1923), v.2, p.13 e seguintes.

(3) Alfred M. Rehwinkel, The Flood (Saind Luis, Missouri: Concordia Publishing House, 1951), p.166-167.

(4) Ibid


A Constelação de Órion e a Profecia de Ellen White

O blog CIÊNCIA DA CRIAÇÃO inaugura uma nova fase de publicações, ampliando nossos recursos, com o objetivo maior de facilitar a compreensão dos temas aqui apresentados.

Este é um tema muito interessante e que merece um atenção em especial:

A CONSTELAÇÃO DE ÓRION E A PROFECIA DE ELLEN G. WHITE

Abaixo se encontra a apresentação de slides com o tema referido acima.
P.S.: Os vídeos dos slides "VÍDEO DA NASA, 2006" e "TAMANHO DOS PLANETAS" estão disponibilizados mais abaixo.

A medida que os slides descritos acima chegarem, desça a página e veja o vídeo, depois retorne aos slides, assim sucessivamente.









VÍDEO 1 - PUBLICADO PELA NASA, EM 2006 SOBRE A NEBULOSA DE ÓRION






VÍDEO 2 - TAMANHO DOS PLANETAS [E OUTROS CORPOS CELESTES]



P.S.: Apresentação extraída, conferida as fontes e adaptada do especialista em Arqueologia Bíblica, Dr. Rodrigo Silva.

A biologia evolutiva tenta explicar a origem da fé

Quando um grupo de pesquisadores tenta compreender aquilo que nem mesmo eles entendem, certamente o resultado não será convincente e satisfatório, do ponto de vista científico.

O portal de notícias da Globo - G1 - publicou um artigo com o título:

Biólogos investigam a origem da fé religiosa na evolução do cérebro humano
O texto inicia afirmando:
"a religião também pode ser considerada um produto da biologia humana, tal como a linguagem, a arte ou o uso de drogas"
Como sempre ocorre nos meios de comunicação, principalmente nas empresas da Globo, o tendencionismo pregado é fortemente disseminado, logo nas primeiras linhas do artigo.
E continua dizendo:
"não há nada de absurdo em usar o que sabemos sobre nossa evolução para entender por que a fé surgiu, e por que ela é tão natural para a maioria de nós." [grifos nossos]
Fiz questão de mudar até a cor das palavras em destaque acima, será que a evolução é tão fidedigna ao ponto de ser suficiente para nos auxiliar no entendimento da gênese da nossa fé?
Pois bem, o sr. Reinaldo José Lopes, autor da sofisma, para não se apresentar totalmente imparcial deixa claro:
"embora muitos sejam ateus, há cristãos devotos e outros religiosos entre eles."
Ou seja, aquele "há cristãos" que fica nítido que corresponde a alguns poucos, desgarrados, estranhos, etc.
O autor se mostra sem informação sobre tal assunto [ou quem sabe até sabia, mas a "edição" da globo mandou "dar uma ajustadinha aqui e ali no texto", manipulando tudo como sempre]
"Em 1916 pesquisadores perguntaram a biólogos, físicos e matemáticos se acreditavam em um Deus que se comunicava ativamente com a humanidade e ao qual é possível fazer uma oração na esperança de receber uma resposta. Cerca de 40% deles responderam afirmativamente. Em 1997 o mesmo estudo foi repetido, literalmente e, para surpresa dos pesquisadores, a procentagem permanecia muito próxima da anterior."
(Francis S. Collins, em A linguagem de Deus, 2007, p. 12)
Para quem quiser conhecer um pouco mais sobre Collins veja:
Mas essa declaração não é nenhuma novidade para o sr. Reinaldo José Lopes, uma vez que ele mesmo publicou um outro artigo, em 07/05/2007 sobre o livro citado acima.
Quem quiser conferir, veja o link abaixo:
Será que ele realmente leu o livro? Espero, realmente que sim! Que não tenha ficado apenas em leituras aprofundadas do verso e anverso da parte inicial do livro.
E o artigo continua dizendo que a fé é apenas um estímulo cerebral, produzido por seleções naturais [evolução] e transferido pelo código genético dos primeiros seres humanos que tiveram fé e foram mais resistentes a batalhas, etc, etc, porque tinham fé em Deus.
Me desculpe a sinceridade, mas eu preciso de muito mais fé para aceitar as falácias de um artigo dessa estirpe.
A verdade está disponível a todos!
Temos recursos tecnológicos dos mais incríveis que a humanidade já conheceu, contudo é visível que estamos encaminhando a um rumo com tanta informação inútil que a carga massiva de informações nos deixará ignorantes porque alguns não conseguem filtrar o que é bom e ruim, hoje, as vezes me parece que somos mais ignorantes [do ponto de vista do conhecimento obtido com os recursos disponíveis] em comparação as outras civilizações do passado.
Espero estar errado!

Livro do Mês - Julho

Caro leitor,


A dica de leitura do blog Ciência da Criação deste mês é livro do Dr. Francis S. Collins, um dos biológos mais respeitados da atualidade, diretor do Projeto Genoma mundial, ele trabalha com o que há de mais moderno no mundo em torno do estudo do DNA, o código da vida. Com isso tornou-se o cientista que mais rastreou genes com o objetivo de obter tratamento para diversas doenças.

O livro conta que Collins até seus 27 anos era um ateu convicto, mas depois de cursar medicina o testemunhando o verdadeiro poder da fé religiosa entre seus pacientes que sua visão de mundo começou a mudar.

Considerado um cientista religioso, apresenta esta obra a fim de defender a existência de Deus e a importância da ciência para a humanidade.


Título do Livro: A linguagem de Deus - Um cientista apresenta evidências de que Ele existe.

Autor: Francis S. Collins

Mais sobre o autor: Gosta de andar de motocicleta e tocar violão.

P.S.: Deixo claro que não tenho nenhuma participação em vendagem, comissão ou qualquer outro vinculo comercial, essa coluna é apenas de caráter informativo.