Entrevista com Dr. Rodrigo P. Silva

Abaixo publicamos uma entrevista com o Dr. Rodrigo P. Silva, Doutorado em Novo Testamento, Especialista em Arqueologia Bíblica pela Universidade Hebraica de Jerusalém, já realizou diversas escavações no Oriente Médio e autor do livro Escavando a Verdade e apresentador do programa Evidências da Rede Novo Tempo.

Agradeço ao Renan, criador do site www.mundocriado.com, mais novo parceiro deste blog em ceder as imagens de sua entrevista.

DR. RODRIGO P. SILVA

EM CUIABA, 2008

Universo – Telescópio Hubble e o Rei Davi

Eu sou apaixonado pelo universo e todos os seus mistérios e questionamentos, a ciência tenta responder alguns, mas falha em outros e outras perguntas vão surgindo, etc.

A verdade é que toda noite que observo o céu em uma noite de céu limpo, não tenho como não lembrar das palavras inspiradas do Rei Davi, no Salmo 19:

“Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra de Suas mãos. Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite”

O Universo é inspirador, e a contemplação do mesmo nos traz uma mistura de sentimentos; paz e temor.

PAZ porque percebemos o quanto somos pequenos perante Deus, mas mesmo assim, carregamos em nosso corpo as impressões digitais do Criador, e mesmo assim Ele permitiu que seu filho Jesus Cristo viesse até esta Terra, tão pequeno planeta, insignificante, mas tão importante para Deus.

Ainda meditando nas palavras de do Rei Davi:

“Ó Senhor, Senhor nosso, quão admirável é o Teu nome em toda a terra, pois puseste a Tua glória sobre os céus!” (Salmos 8:1)

Imagino eu, o Rei Davi que em seu palácio deveria ter um local especial para observar o céu e as estrelas, algo semelhante a uma sacada, por que não dizer um pequeno observatório rústico, e ali, todas as noites, meditando e conversando com Deus, Ele tenha revelado o seguinte a Davi:

“Quanto vejo os Teus céus, obra de Teus dedos, a lua e a estrela que preparaste” (Salmos 8:3)

E ai vem aquele sentimento de inferioridade (que não é psicológico), mas sim factual, podemos perceber o quão grande é o amor de Deus para com esta humanidade. Tanto que o versículo continua da seguinte forma:

“Que é o homem, que dele Te lembres, e o filho do homem que o visites?” (Salmos 8:4)

Uma certeza eu tenho, Davi não conhecia o que o vídeo abaixo nos mostra acerca da descoberta do Telescópio Hubble sobre a existência de mais de 10 mil galáxias iguais ou maiores do que a nossa em apenas uma imagem tirada pelo Hubble, com uma distância jamais atingida de 78 milhões de anos-luz.

Sinceramente, desejo que possamos seguir o conseho que o Apóstolo Paulo nos deixou sobre “ler de tudo e reter somente aquilo que for bom”.

Não deixes que teorias humanas baseadas em argumentos repletos de lacunas afastem você de um Deus de amor, que cuida de Ti e te observa desde quando voce estava no ventre da sua mãe.

Vejam abaixo este vídeo muito interessante:

Dr Ateu – No Princípio

José no Egito – Parte I

Mais uma vez peço permissão ao Dr. Rodrigo P. Silva para extrair de sua obra “Escavando a verdade” este capítulo:

A história de José é uma das sagas mais famosas do Antigo Testamento. Vítima de seus próprios irmãos, ele teve sua túnica rasgada, foi vendido como escrado e levado para o Egito. Uma vez lá, foi injustamente para a prisão, mas terminou liberto e promovido a primeiro-ministro, após decifrar um obscuro sonho do faraó que previa fome no país. Essa é uma história maravilhosa que mostra a providência divina na vida de um homem sofredor.

Jose no Egito

José perante Potifar no Egito

As rivalidades entre irmãos de José podem ser compreendidas à luz da poligamia praticada na época, especialmente por chefes tribais nômades como Jacó. Um homem que possuísse várias esposas, era respeitado, pois, além de ser pai de uma grande prole, demonstrava ter recurso para sustentar várias famílias.[1]

Não obstante, ele tinha de lidar com o problema de que cada uma de suas mulheres gostaria que o seu filho e não o da outra fosse o sucessor do pai na chefia do clã. Devemos nos lembrar que José era filho de uma segunda esposa, assim como Benjamim depois dele. E o curioso é que o ápice da rivalidade entre ele e seus irmãos parece ter sido por causa de uma comprida túnica de muitas cores que Jacó lhe havia presenteado.[2] No dia em que viram José vestido com o novo traje, decidiram que ele deveria ser morto. Por que uma simples roupa incitaria tamanho ódio? Um presente tão simples seria motivo de tanta inveja?

Tudo isso e muito mais nós veremos na série de estudos que se seguem com o título JOSÉ NO EGITO. Espero que aproveitem este e os próximos artigos que virão na sequência e que o entendimento faça morada em suas mentes. É o que desejo…

I.1. CONTEXTO HISTÓRICO

Para nós ocidentais a trama desse relato pode parecer um tanto confusa. Mas ela deve ser vista sob o pano de fundo dos costumes orientais. Mesmo numa rápida visita aos mercados do Oriente Médio é possível observar as peças de tecelagem fabricadas de modo artesanal como nos tempos bíblicos. Ainda hoje no moderno mundo árabe costuma-se dar muita importância aos tecidos coloridos que são um fino presente para as mulheres. Nos tempos antigos, porém, as cores e o comprimento de uma roupa tinham um significado político bem mais acentuado.

Tapete árabe

Exemplo de cores num tapete árabe

I.2. EVIDÊNCIAS ARQUEOLÓGICAS

Há mais ou menos 100 km ao sul do Cairo, encontramos uma pequena vila chamada Beni Hassan que fica à margem leste do rio Nilo. Ali existem várias tumbas remotas, pertencentes aos governantes e políticos que viveram no Egito durante a 12° Dinastia (cerca de 1800 a.C.).

Beni Hassan (Khnumhotep) 3Vista interna da tumba de Khnumhotep

As paredes de cada uma delas estão decoradas com cenas da vida diária e uma em especial talvez nos ajude a esclarecer porque a túnica de José provocou a ira de seus irmãos. O desenho do túmulo, que você pode ver a seguir, traz a figura de oito homens, quatro mulheres e três crianças acompanhados por animais de carga e guiados por oficiais do Alto Egito.

Beni Hassan 02

Parede egípcia pintada em uma tumba de Beni Hassan, descrevendo a chegada de nômades semitas no Egito, em 1895 a.C. [3]

O texto hieroglífico do alto da parede dá a descrição de um fato e seu significado. Ele diz que aquelas pessoas faziam parte de um grupo de 37 asiáticos que haviam vindo da região de Shut (que inclui Canaã) para comprar alimentos dos egípcios. O Chefe do grupo se chamava Abissai, que é um nome tão semita quanto Jacó, Benjamim e Judá. Toda a parte desse período mostra os egípcios sem barba e os cananeus com barba.

Só o fato de descerem ao Egito para negociar comida valida historicamente a atitude dos filhos de Jacó de seguirem até o território egípcio a fim de comprar mantimento, pois havia grave fome na terra (Gênesis 42). Mas o que nos interessa são as túnicas multicoloridas que alguns deles apresentam. Elas parecem concordar com a tradução de Gênesis 37:3 que menciona as vestes de José como sendo “de muitas cores”.

A figura mostra dois tipos principais de vestimenta; os dois são listrados e cada listra tem uma cor distinta. Há também desenhos dentro das listras, o que aumenta a originalidade, beleza, e importância do traje. Ambos representam o tipo de vestimenta que José poderia ter usado, segundo a descrição da Bíblia.

I.3. A TÚNICA

Se proceder o fato de que, além de muitas cores, a veste de José tambem tivesse mangas compridas conforme deduzem a maioria dos tradutores, então temos de compreender que não se tratavam de vestes comuns. Afinal de contas esse não era um tipo de roupa adequado para o trabalho manual ou pastoril.

Além disso, convém lembrar que as cores no antigo oriente eram um artigo muito precioso. Hoje temos uma miriade de matizes, pois desenvolvemos nossas colorações através de produtos químicos que não desbotam e permitem criar várias tonalidades diferentes.

roda-de-coresRoda-de-cores

Mas na antiguidade a situação era completamente diferente, porque cada tipo de tintura disponível era proveniente de produtos naturais. Assim, algumas cores eram mais complicadas de se obter que outras. Os tons mais raros (e, portanto, bastante caros) eram o vermelho e o púrpura; cores, aliás, usadas pelos viajantes semitas pintados em Beni Hassan.

Cornfield e Freedman [4] sugerem que a vestimenta nova de José poderia ser uma espécie de túnica ornamental usada por sacerdotes e divindades no antigo Oriente Médio. De fato, textos cuneiformes referem-se a uma vestimenta cerimonial chamada kutinnu pishannu que era usada pelos governantes sacerdotais e enrolada nas estatuetas das divindades. Elas eram cheias de adornos, simbolizando a soberania daquele que as vestia. Note-se que sua designação em acadiano (kutinnu pishannu) lembra muito de perto o termo hebraico usado para referir-se à túnica recebida por josé. O Gênesis a chama de ketonet passim.

José no Egito, kutinnu pishannu

Vestimenta de José (ketonet passim)

Deduzimos, portanto, que ganhar uma vestimenta especial (provavelmente tingida de cores raras e enriquecida com adornos) foi uma mensagem para os irmãos de José. Significava que ele era o favorito de Jacó para ocupar a chefia do grupo após sua morte. Logo, era de se esperar que quisessem se livrar dele.

[ipsis litteris]

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REFERÊNCIAS TEXTUAIS:

[1] – Jesus, é claro, não parece ter endossado esse tipo de prática ao sancionar para os discípulos o ideal da monogamia. Essa idéia perpassou para várias passagens do Novo Testamento (Mt 19:3-9; Mc 10:1-12; ICo 6:16; Ef 5:22-33; ITm 3:2). Dos diáconos e outros lideres da Igreja cristã esperava-se a monogamia que, aliás, já parecia desencorajada em Israel desde os tempos pós-exílicos.

[2] – Algumas versões em português traduzem “túnica talar de mangas compridas” ao invés da “túnica multicolorida”. Ambas as traduções parecem possíveis ao termo pasim que ainda é um tanto ambíguo em hebraico. Ele ocorre apenas em Gênesis 37:3, 23, 32 e 2Samuel 13:18, 19.

[3] - H.G. Wells (1866–1946). A Short History of the World, 1922.

[4] – Cornfield e Freedman, p.31.