terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Houve tarde e manhã, o primeiro dia

Hoje, ao chegar em casa, me deparei com uma revista denominada Despertai, que me chamou a atenção porque logo na capa havia a seguinte pergunta: "Faz sentido acreditar num Criador?". Logo me sentei e comecei a ler. Me alegrei ao contemplar a dedicação que esta comunidade protestante bem intencionada teve em divulgar argumentos científicos demonstrando ao leitor a plausabilidade em aceitar que o estudo sincero da biologia natualmente nos leva a fazer a mesma pergunta da capa da revista.Minha decepção, a que inclusive motivou-me a escrever este artigo, apareceu quando li o parágrafo que transcrevo abaixo:
"O motivo de algumas pessoas duvidarem da existência de Deus é que muitos cientistas não acredtiam nEle. Mas um conceito popular entre os cientistas às vezes pode estar muito errado, como o próximo artigo mostrará. É lamentável que muitas religiões tenham contribuído para essa confusão por ensinar coisas contrárias a fatos científicos bem comprovados. Um exemplo clássico disso é a noção antibíblica de que Deus criou o mundo em seis dias de 24 horas, alguns milhares de anos atrás" [sic].(nov, p. 3, 2011).

Ao ler isso, duas preocupações me surgiram à mente, uma científica e outra teológica, respectivamente: Seria justo com Deus, seres humanos forçarem passagens das Escrituras afim de que a Bíblia fique em harmonia com uma teoria repleta de erros científicos? As Escrituras afirmam que toda Bíblia é inspirada por Deus e útil para o ensino (2Tm 3:16), a teoria de Darwin e nenhuma outra teoria científica possui inspiração divina, portanto, não seria perigoso rebaixar um texto inspirado com objetivo de exaltar/defender uma obra humana? Eu penso que sim. Aliás, é algo muito perigoso! Leia atentamente o comentário abaixo e entende porque esta e tantas outras comunidades protestantes não aceitam os dias da semana como dia literais de 24 horas.


HOUVE TARDE E MANHÃ, O PRIMEIRO DIA

Literalmente, "foi tarde, foi manhã, dia um" (Gn 1:5). Assim se encerra a misteriosa descrição do momentoso dia que foi o primeiro dia da semana da criação. Já foram dadas muitas explicações diferentes para esta declaração. Ela indica claramente a duração de cada uma das sete etapas da semana da criação e é repetida mais cinco vezes neste capítulo (v. 8, 13, 19, 23, 31). Alguns já cogitaram que cada ato criador durou uma noite, do entardecer até a manhã; e outros, que cada dia começava com a manhã, embora o relato inspirado diga claramente que a tarde precedia a manhã.
 
Muitos eruditos têm interpretado essa expressão como um longo e indefinido período de tempo, crendo que algumas das atividades divinas dos dias seguintes, como a criação das plantas e dos animais, não poderiam ter sido realizadas dentro de um dia literal. Eles pensam ter uma justificativa para essa interpretação nas palavras de Pedro: "para o Senhor, um dia é como mil anos" (2Pe 3:8). Que esse texto não pode ser usado para se averiguar a extensão dos dias da criação fica óbvio, quando se lê o restante do verso: "e mil anos, como um dia". O contexto das palavras [sobre hermenêutica bíblica, clique aqui] da Pedro deixa claro que ele enfatiza a independência de Deus em relação ao tempo.O Criador pode fazer em um dia a obra de mil anos, e um período de mil anos, que é um longo tempo para os que esperam que os juízos de Deus se cumpram, pode ser considerado por Ele como apenas um dia. Os Salmos 90:4 transmite a mesma ideia.

A declaração literal: "Foi tarde [com as horas sucessivas da noite], e foi manhã [com as horas sucessivas do dia], dia um" é claramente a descrição de um dia astronômico, isto é, um dia com a duração de 24 horas. É o equivalente da composição hebraica de época posterior encontrada em Daniel 8:14: "tarde-manhã", que a KJV [a Bíblia na versão inglesa] traduz como "dias" (significando aqui [especificamente nesta passagem] dias proféticos), e também da palavra grega empregada por Paulo, nuchthemeron, traduzida como "uma noite e um dia" (2Co 11:25). Assim, os hebreus, que nunca tiveram dúvidas quando ao significado dessa expressão, começavam o dia com o pôr do sol e o terminavam com o pôr do sol seguinte (Lv 23:32; Dt 16:6).
Além disso, a linguagem do quarto mandamento não deixa dúvidas quanto ao fato de a tarde e a manhã do relato da criação serem as etapas que compõem um dia na Terra. O mandamento, reportando-se em palavras inequívocas à semana da criação, declara: "Porque, em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou" (Êx 20:11).

A tenacidade com que muitos comentaristas se apegam à ideia de que os dias da criação foram longos períodos de tempo, e mesmo milhares de anos, em grande parte encontra explicação no fato de que eles tentam fazer com que o relato da criação se harmonize  com a teoria da evolução. Geólogos e biólogos tem ensinado as pessoas a crerem que a história primitiva da Terra abrange milhões de anos, nos quais as formações geológicas foram vagarosamente tomando forma e as espécies vivas, evoluindo [clique aqui e assista um documentário sobre a verdadeira idade da Terra]

Ao longo de suas páginas, a Bíblia contradiz a teoria da evolução. A crença numa criação divina e instantânea como resultado de palavras pronunciadas por Deus se encontram em completa oposição à teoria defendida pela maioria dos cientistas e por muitos teólogos modernos, de que o mundo, com tudo que há nele, veio à existência por meio de um vagaroso processo de evolução que durou eras incalculáveis.

Outra razão pela qual muitos comentaristas declaram que os dias da criação foram longos períodos de tempo é a rejeição do sábado. Um famoso comentário assim expressa essa ideia:  
"A duração do sétimo dia necessariamente determina a extensão dos outros seis. [...] O repouso sabático de Deus é compreendido pelos melhores intérpretes da Escritura como tendo se estendido do final da criação até este momento; portanto, a consistência exige que os seis dias anteriores sejam considerados, não como tempo de duração curta, mas indefinida" (Pulpit Commentary).

Esse tipo de raciocínio é circular. Devido ao fato de o sábado do sétimo dia, tão claramente definido nas Sagradas Escrituras como um dia de descanso que se repete semanalmente, ser rejeitado como tal, declara-se que o sétimo dia da semana da criação dura até o presente. Com base nessa explicação não bíblica, a duração de todos os outros dias da criação também é expandida. A coerente interpretação da Bíblia não concorda com esse tipo de raciocínio. As Escrituras falam claramente de sete dias de criação (Êx 20:11), e não de períodos de duração indefinida. Portanto, somos compelidos a declarar enfaticamente que o primeiro dia da criação, indicado pela expressão hebraica "foi tarde, foi manhã, dia um", consistiu de um dia de 24 horas.

Fonte:
Comentário Bíblico Exegético e Expositivo Adventista do Sétimo Dia, v. 1, p. 190-192, 2011.

"E se alguém tirar alguma coisa das palavras do livro desta profecia, Deus vai retirar dessa pessoa a sua parte na árvore da Vida e na Cidade Santa, que estão descritas neste livro" 

(Ap 22:19 Bíblia de Jerusalém)

4 comentários:

Pri disse...

Olá senhor Hugo,bom dia!
Em um momento de pesquisa cheguei até aqui e pude ler bons artigos.
Se desejar visite meu blog:
http://olhandodoauto.blogspot.com/

E este é de meu esposo:
http://britocappa.blogspot.com/

Obrigada Pri.

F. Otavio M. Silva disse...

Hugo como sempre com argumentos diretos e bem fundamentados, com meu pouco conhecimentos sempre pensei que ciência e religião poderiam conviver juntas (como muitos atualmente pensam), e a ultima ferramenta que pensei para comprovar essa correlação foi a bíblia. Como sempre digo o ser humano lê muito a bíblia que foi inspirada em Deus e esquece a bíblia que o próprio Deus escreveu com suas mão literalmente, essa bíblia é a terra e toda vida que há nela. Ainda acredito nessa correlação, porém é algo mais intuitivo do que comprovativo.

Hugo Hoffmann disse...

Caro amigo Otávio,

Sempre partiu de Deus a vontade de Se revelar ao ser humano e Ele faz isso através de três formas:

1) NATUREZA: A complexidade biológica, por exemplo, a do DNA é onde vejo algo que teria tudo para dar errado e não funcionar, funcionando. Esta evidência nos encaminha a aceitar um Criador.

2) CONSCIÊNCIA: O evolucionismo não consegue explicar de onde e por que surgiu o senso moral inato do certo e do errado que o ser humano possui, uma vez que isso não apresenta vantagem evolutiva nenhuma, isso pode ser observado em qualquer comunidade, primitiva ou não, pois há uma consciência de que matar e roubar é errado. Além disso, Deus fala à nossa consciência também (Is 30:21).

3) ESCRITURAS SAGRADAS: Depois que o ser humano permitiu que o pecado entrasse no mundo, nenhum dos dois itens anteriores oferecia mais a segurança inicial que ofereciam de se contemplar perfeitamente a Deus, uma vez que tanto a natureza quando à nossa consciência (conhecidas teologicamente como REVELAÇÃO GERAL) sofreram drásticas mudanças por causa deste mal. Neste contexto, Deus precisou de uma REVELAÇÃO ESPECIAL e isso se deu através dos servos de Deus, com quem Ele se revelou e inspirou para que registrasse a revelação sem desvios na mensagem, mesmo respeitando as limitações intelectuais de cada pessoa. Na Bíblia, Deus se revela de forma mais íntima, como Deus pessoal, que se preocupa com pequenos detalhes na vida do ser humano, todavia, a maior revelação de Deus é Jesus, o Cristo.

Teologado disse...

Parabéns Hugo! que Deus continue abençoando vc de todas as formas e continue aumentando a sabedoria que você já tem!
Muito boa a postagem!